1. Sobre pais e filhos

    Já ouvi falar de casos de filhos e pai que não se conversam muito. Mas o caso de um amigo meu que morreu dentro do quarto de casa e só teve o corpo encontrado pela família 3 dias depois, é absurdamente kafkaniano.

    A mãe do cara viajou e ficaram apenas ele o o pai, que não se bicavam. O cara tem uma parada cardíaca e 3 dias depois a mãe dele chega de viagem e encontra o corpo do filho já em decomposição. Fico pensando, o que se passou na cabeça desse pai, por esses 3 dias que ele não via o filho? O quarto , imagino, deveria estar com a luz acesa e tv ligada, então sempre que o pai passava e via ruído, imaginava que o filho lá estava. Mas fiquei pensando que esse tipo de coisa pode ser bem real hoje em dia. Tem gente que vive num universo paralelo dentro do seu quarto. Podem até morrer por lá e a família poderá encontrar o corpo dias depois.

    Foi a cena mais estranha da minha vida. Chego na lojinha da família do meu amigo e digo: “Como vai P.? E o funcionário da loja, amigo da família, reponde: morreu.” Eu não sabia onde por a cara. Apesar de nem sempre ser nossa culpa, mas num caso desse a gente logo se culpa por não saber do ocorrido. Mas, ora, mas se o pai que mora na mesma casa, não soube, apenas tomou conhecimento 3 dias depois, ainda assim porque a mãe descobriu, como eu lá ia adivinhar isso?

    Pare e pense, quantos amigos que você conhece pode morrer e você ficar sabendo meses depois. Muitas vezes nem nosso próprio amigo tem nosso mais recente número de celular, quanto mais os pais deles!

    Mas foi sacanagem da vida, ou da morte. P era um dos poucos caras que queria muito ter me despedido direito. Não creio em vida após a morte. Não acho que ele foi pra canto nenhum, nem céu, nem inferno ou purgatório. Apenas penso tão simples e certeiro como a própria morte, que morrer é o oposto de viver e não uma “outra forma”. Se você apenas pensar que a morte é tão somente o contrário da vida, fica fácil entedê-la.

    Mas eu sabia que ele sofria do coração. Poderia na última vez que o vi, ter dito como foi bom em minha vida conhecê-lo e como nossas loucuras de juventude serviram e servirão para relembrar bons momentos da minha vida. Deveria ter lhe dito que ele merecia saber que era uma boa alma, e de fato, ele era!

    Mas eu nunca disse, embora ele sempre me dissera elogios sinceros. Penso em tantos amigos, pessoas que de alguma forma contribuíram para nossas experiências de vida, que poderão morrer ou serem levados pelos caminhos da vida e jamais saberão quão importante nos foram. Nossa memória tem um critério próprio de relevância para escolher o que ela vai gravar eternamente (enquanto vivermos) que não ocmpreendemos bem. Alguns amigos em si mesmo não foram tão importantes em nossa vida, mas acontecimentos que vivenciamos causados por eles, estes sim podem ser o maior legado deles.

    Por exemplo, não lembro muito do meu avô, mas a cena tendo eu, pequeno, entre 4 e 6 anos e entrando na roça dele, a primeira que vi na vida, colhendo umas pequenas frutas no pé e até comendo algumas (não lembro bem o que era), foi inesquecível! Tenho certeza que quando morrer, e dizem que passa um rápido filme com os momentos mais marcantes da nossa vida, de que este quadro vai estar lá.

    Não há nada que nos torne mais humanos que as recordações. Isso sim é humano, demasiadamente humano. Os animais recordam, um caminho, um procedimento… Coisas mecânicas para sua sobrevivência. Acho que somos os únicos animais que nos recordamos apenas pra sentirmos mais humano, vivos ou ao menos sentirmos que vivemos mesmo um vida.

    Uma coisa que me questiono:Será que na minha velhice (caso chegue lá), sentirei saudade da época de hoje, como sinto da minha época de infãncia para adolescência? Talvez a inexperiência da vida nos faça mais exigentes e com um elevado padrão de felicidade, e a maturidade afrouxe nossos ideais de contentamento, de forma que começamos a notar como o ontem sempre parece ter sido mais feliz que o hoje. Não que as coisas realmente fossem melhores, mas nosso padrão de exigência para nos sentirmos “felizes” passa a cair mais com o tempo. Nos contentamos com pequenas felicidades, daquelas que apenas os velhos, loucos e crianças curtem*.

    *Um dia quero escrever sobre essa assombrosa semelhança entre loucos, velhos e crianças.

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    2 years ago
  2. O medo causado pela inteligência

    Não é meu este texto, mas achei muito interessante.

    O MEDO CAUSADO PELA INTELIGÊNCIA
    Por: Marcelo Albert de Souza

    Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia  na  Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de  seu  pai,  o  que  tinha  achado  do  seu  primeiro  desempenho naquela assembléia  de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse,  em tom paternal: “Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante  neste  seu  primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter  começado um  pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência  que  demonstrou  hoje,  deve  ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos.  O talento assusta.”

    E  ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pode dar ao  pupilo  que  se inicia numa carreira difícil. A maior parte das pessoas encasteladas  em  posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da  inteligência. Isso na Inglaterra. Imaginem aqui no Brasil. Não é demais lembrar a famosa trova de António Alexo, poeta português:

    Há tantos burros mandando

    Em homens de inteligência
    Que às vezes fico pensando
    Que a burrice é uma Ciência

    Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista  de  posições.  Sabem  ocupar  os  espaços  vazios deixados pelos talentosos  displicentes  que não revelam o apetite do poder. Mas é preciso considerar  que  esses  medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito  de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de  granito  por  onde  talentosos  não conseguem passar. Em todas as áreas encontramos  dessas  fortalezas  estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos.
    Dentro  desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do Elogio da Loucura de  Erasmo  de  Roterdan,  somos  forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir  de  burra  se quiser vencer na vida. É pecado fazer sombra a alguém até  numa  conversa  social.  Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo  de  convivência,  por  medo  de  perder  seus  maridos,  também os encastelados  medíocres  se  fecham  como  ostras  à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar.

    Eles  conhecem  bem  suas  limitações,  sabem  como  lhes custa desempenhar tarefas  que  os  mais dotados realizam com uma perna nas costas, enfim, na medida  em  que  admiram  a  facilidade  com  que  os mais lúcidos resolvem problemas,  os  medíocres  os  repudiam  para  se  defender.  É um paradoxo angustiante.

    Infelizmente temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida.

    Como  é  sábio  o  velho conselho de Nelson Rodrigues: finge-te de idiota e terás o céu e a terra.

    O problema é que os inteligentes gostam de brilhar. Que Deus os  proteja.

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    2 years ago
  3. Parece mentira

    Este site, alem de permitir ouvir as músicas e fornecer o código pra postar em blogs, ainda pode baixar! Logo deverão proibir, mas por enquanto:

    http://beemp3.com/

    Estou feliz como um pinto no lixo!

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    2 years ago
  4. Ocus Pocus - Focus

    Muito bom!

    Focus - Hocus Pocus .mp3

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    2 years ago
  5. Robert Plant

    Ship of fools

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    2 years ago
  6. [Flash 9 is required to listen to audio.]
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    (via insustentaveleveza)

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    2 years ago
  7. Putz, tampando o resto do corpo e deixando apenas a cabeça, parece uma imagem inanimada mesmo!
deadgirls:

dirtyrose:

chapfou:caldaean:nihilnoetia:



La nouvelle infirmière - Louis Treserras

    Putz, tampando o resto do corpo e deixando apenas a cabeça, parece uma imagem inanimada mesmo!

    deadgirls:

    dirtyrose:

    chapfou:caldaean:nihilnoetia:

    La nouvelle infirmière - Louis Treserras

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    132 notes
    2 years ago
  8. (via tattoome)

    (via tattoome)

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    15 notes
    2 years ago
  9. (via intuitiveaptitude)

    (via intuitiveaptitude)

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    2 years ago
  10. (via buddhabrot)

    (via buddhabrot)

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    2 years ago