Lendo o “Evangelho Segundo Jesus Cristo” do Saramago, saboreio as palavras que ele tempera tão bem com sua peculiar sensibilidade agridoce. “Já se sabe que as palavras proferidas pelo coração não tem língua que as articule, retêm-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se podem ler”, diz Saramago ao descrever de maneira bela o amor jocastiano entre Jesus e Maria Madalena, na cena em que Madalena, apesar de amá-lo como homem o chama de “filho”.
Nunca senti nada pela figura mítica do Jesus Cristo, a não ser pena. Pena de como dizem que o torturaram, pena da sacanagem que o Pai dele fez com ele, pena da responsabilidade que jogaram nas costas do cara… Mas foi lendo Saramago que achei Jesus humano. Jesus questiona por que diabos seu Pai tem esse fetiche de querer sangue. Sangue de pombo, sangue de cordeiro, sangue do próprio filho.
Tem uma cena linda no livro, onde Jesus se dirige até Jerusalém para sacrificar um pequeno cordeiro e se apega ao bichinho, desistindo de sacrificá-lo. O adota como animal de estimação. Mas seu Pai acaba jogando um raio e fulminando o bicho.
Fico pensando… deixa pra lá.
………………………………. 2010 chegando.
Começarei o ano como jornalista formado (isso ainda tem valor?), DRT na mão e mil ideias na cabeça. Expectativas muitas, viver pra ver.