O real é definido por consenso, um extremamente geral e do qual nem todos participaram, mas é legeitimado pela sociedade que nem mais o questiona. Então o real é inquestionável pelas pessoas em geral. Teoricamente o real seria formado de “verdades”. Se toda verdade é questionável, logo também é o real.
A diferença entre o irreal e o real foi traçada apenas com base na definição do conceito de realidade, não levando em conta o que vem a ser o imaginário, irreal, uma vez que este não pode ser verdadeiramente conhecido pelos “realistas”. Quem acredita no irreal, pode conhecer a realidade por inteira, mas os que apenas crêem no que é REAL, jamais poderão entender o que é mesmo o “IRREAL”.
Para os realistas o real é o que existe e o irreal tudo o que não existe. Para a pessoa que desafia os conceitos pré-estabelecidos da sociedade o irreal é apenas uma outra realidade.
Talvez a grande questão seria entender o que existe entre o real e o irreal (ou “entre o real e o abstrato”, como diria a música dos Engenheiros)? Nós existimos. Vivemos pela realidade e morremos pelo irrealismo.
Realidade é associada ao certo e bom, a vida. A morte é ruim e misteriosa e ligada ao irreal. Por isso o medo da morte, pois ela trará para nossa “nova realidade”, toda a base do irreal, que vivemos a vida inteira aprendendo que é certo. Ainda que a morte também faça parte da realidade, o que ocorre após ela é que habita o mundo do irreal e por isso é cercado de mistérios, lendas e muita dúvida.
Talvez o maior passo para entender o processo de vida após a morte ou “outra vida” após o fim do corpo material, seria entender o que é mesmo a realidade, sem basear no conceito antigo do que é realidade, mas apenas definindo a irrealidade por observação única da mesma.
A irrealidade se mostra a qualquer um, em qualquer momento, basta apenas estar por um momento desapegado dos conceitos que nos ensinaram de “realidade” e assim nos prepararmos para aceitar o real da irrealidade que sempre esteve ao nosso lado, mas nunca quisemos ver.
Divagações de uma terça-feira qualquer em Vitória da Conquista na Bahia, ao ar reciclado de um quarto abafado e com um pequeno ventilador.